Colóquios das Relações Internacionais - Painel da Cibersegurança
No
passado dia 8 e 9 de maio nas instalações da Universidade do Minho no campus de
Gualtar, decorreram os XXXIX colóquios de relações Internacionais. Um dos
tópicos debatidos durante um dos painéis foi a cibersegurança com dois
especialistas na área: o Professor de segurança Internacional na universidade de
Bath e investigador do centro de estudos sociais da Universidade de Coimbra,
professor André Barrinha e Henrique Santos, professor do departamento de sistemas de informação da Universidade do Minho.
A
cibersegurança vai prevalecer nas agendas estatais, não só porque crimes
associados a essa área compromete a segurança dos próprios estados, como também
realça uma importante discussão sobre o limite do uso digital. Acabou a era
onde os Estados tem como maior preocupação ataques militares ou desastres
naturais. A prevenção e defesa de um Estado soberano deve e tem de incluir a
proteção do mundo digital. Também, durante a realização do painel, se levantou
a problemática de que instituições seriam mais competentes para lidar a
segurança do ciberespaço. Na realidade, e como o professor André Barrinha indicou,
a Internet não foi inicialmente desenhada para conter tanta informação
sensível. Como tal os sistemas estão sobrecarregados e o seu uso nunca foi tão
intenso. É de duvidar que seja introduzido em qualquer região/estado o limite
do uso de software. A iniciativa privada pode ser parte da solução, mas na
minha opinião, o Estado tem o dever de proteger os dados do cidadão. O usuário
moderno das redes informáticas, em muitas ocasiões, não tem a consciência de
quem e quanta informação está a fornecer.
“If
you think technology can solve your security problems, then you do not
understand the problems and you do not understand the technology”
Information
security: 9th international conference
ISC 2006
O
professor Henrique Santos focou-se principalmente no enquadramento Geral sobre
os desafios da cibersegurança, onde debruçou-se na complexidade nos diferentes
tipos de ameaças. Sendo que o principal propósito será proteger a informação do
acesso não autorizado (segurança de informação), tem de se assegurar o
ciberespaço como – de acordo com a Centro Nacional de Cibersegurança português –
“espaço de liberdade, segurança e justiça, para proteção dos setores da
sociedade que materializam a soberania nacional e o Estado de Direito
Democrático”.
Um
dos tópicos discutidos pelos elementos do painel foi de que forma as ameaças se
apresentam – 75% dos ataques são dirigidos a fraquezas humanas – visto que a
enorme complexidade dos sistemas informáticos e as constantes mudanças das
próprias ameaças dificultam a proteção da informação no ciberespaço. Contudo para
além da questão de como proteger o espaço, perguntei-me quem representam estas
ameaças. Quem são os que tentam roubar informações do cidadão comum,
informações do governo, quem está por detrás do computador? Vários grupos estão
na mira das agências tanto nacionais como internacionais como criminosos de
alto calibre. Certos são conhecidos pelo público que tem como principais alvos
instituições e agências governamentais, corporações – como por exemplo “Anonymous”,
um grupo internacional – outros tem como alvos objetivos mais específicos.
The
New York Times publicou um artigo intitulado “In a World of Hackers, Good Guys
and Bad Guys Are Often A Blur”, (https://www.nytimes.com/2000/02/12/business/in-world-of-hackers-good-guys-and-bad-guys-are-often-a-blur.html)
onde entra na retórica da diferença dos vários Hackers - “Hackers themselves are deeply divided over
which actions are responsible and which reckless, but there is general
agreement that the line between good guys and bad guys is something of a
blurry, shifting and permeable barrier.” Existem aqueles que apresentam ataques
contra grupos terroristas/ódio (“KU Klux Klan” foi atacada pelos “Anonymous”),
como forma de provar que tais grupos são o “Robin Hood” do mundo tecnológico. Em
vários casos, especialmente nos últimos anos, desencobriram casos de corrupção a alto
nível. No século XXI a maior fonte de poder é a informação e tais grupos tem
acesso a quaisquer dados existentes. Independentemente das suas intenções,
grupos como Anonymous, AnonCoders ou DCLeaks (para nomear alguns), roubam informações
e distribuem ao mundo. Muitos argumentam que toda a informação devia ser livre
de restrições. Esta ações podem claramente ser debatidas por nível de gravidade
de acordo com o crime. “The establishment has long had a love-hate relationship
when it comes to hackers, because the same people who demonize hacking also
utilize it at large (…)”. Certas empresas contratam hackers para tentar entrar nos
seus sistemas de forma a testar a sua segurança informática.
“There
is no one hacker ethic. Everyone has his own. To say that we all think that same
way is preposterous.”
Acid Phreak, 1990
De
acordo com uma investigação da Universidade de Oxford a melhor forma para
prevenir e erradicar comportamentos ilegais é a contextualização da motivação
das ameaças. O cibercrime como atividade global tem sido a norma preponderante,
contudo há cada vez uma maior necessidade de ver as ocorrências criminais
regionalmente. “Os culpados existem dentro de certos locais, e entender esses
locais e a situação económica dos que vivem neles ajudaria a polícia a entender
melhor, investigar e combater o cibercrime” (http://www.ox.ac.uk/news/2017-08-08-cybercriminals-are-not-anonymous-we-think#).
O
mundo online tem cada vez uma maior predominância. Estamos a assistir a
mudanças das normas referentes ao universo digital. Uma fação da sociedade começa
a apoiar tais grupos. O resto da população começa a criar um sentimento de
insegurança aquando o ciberespaço. A imprevisibilidade deste complexo universo e
sua rápida e constante mudança, torna quase impossível conter e prevenir
ataques.
As
Relações Internacionais debatem agora a fronteira do ciberespaço. Quem deve
controlar o quê? Que Estados tem o poder de introduzir regulamentações ou
barreiras artificiais na comunidade internacional?
“Cyberwar is the battlefield of now”
Geoff Livingston
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